Sindicato dos Administradores no Estado do Amazonas

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Punição pelo bom desempenho

Joel Solon, 13 de novembro de 2014

É sabido que a falta de atribuição clara das atividades nas equipes combinada com o despreparo de gestores escolhidos sem critério ou por critérios técnicos provoca a evasão de talentos.

Há tempos que analiso as causas e as consequências disto. Mas vamos começar pelas consequências, que fica mais fácil:

O sujeito fica maluco, adoece, desestabiliza seus relacionamentos, é tratado como herói no curto prazo, é malvisto pelos colegas menos produtivos (ou menos eficientes, digamos assim), e não é promovido, porque não pode ser promovido, porque é eficiente demais, e não pode ser substituído.

As consequências no médio prazo são desmotivação para o trabalho e para a vida, depressão, análise, e depois da conscientização da causa dos problemas o pedido de demissão e troca por outra organização. A este evento tecnicamente chamamos de evasão de talentos, e que é um problemão das organizações, porque só quem é bom vai embora por opção, quem é ruim fica.

Vamos então, a partir desta realidade, derivar as causas do problema:

Ele começa por um mal crônico brasileiro, a falta de critério para seleção dos ocupantes dos cargos gerenciais. Na ausência de critérios é escolhido, e sempre às pressas, o mais antigo, ou o mais experiente, ou o mais queridinho, mas não o mais preparado.

Este gerente despreparado não é capaz de promover o desenvolvimento da sua equipe, onde, digamos assim, há um déficit de competências (quase todas as equipes têm). Só que ele, o gerente, tem entregas e prazos a cumprir e é injusto na distribuição das tarefas, entregando a maior parte das tarefas ou as mais complexas para os funcionários mais produtivos e que são CAPAZES de cumprir os prazos.

Como este gerente está sempre contra o relógio ele não tem tempo pra treinar ninguém, e as coisas permanecem como estão, quer dizer, mal.

Assim, o gerente se sustenta por algum tempo até que o seu craque, o seu super servidor que dá conta de tudo se dá conta de que está sendo punido com mais trabalho pelo simples fato de ser mais capaz do que os seus companheiros.

E os seus companheiros, ah, alguns estão até adorando, estão sendo premiados com menos trabalho, uma vez que não foram treinados porque faltou tempo ou tem baixo desempenho mesmo.

E quando o servidor punido com mais trabalho pede pra sair o que acontece? O ciclo se reinicia, de duas formas:

Outras pessoas são seduzidas para exercer o papel de super servidor e o gerente se mantem no cargo (por algum tempo, ganha uma sobrevida).

Na outra opção o gerente perde o cargo e o ciclo maligno se reinicia, promovendo às pressas o mais antigo, ou o mais experiente, ou o mais queridinho, mas não o mais preparado, que muitas vezes era o cara que saiu, quem? Aquele servidor diferenciado com capacidade e potencial maior do que os colegas, que não foi reconhecido e nem promovido, mais um talento desperdiçado por um gestor despreparado.

Triste não?

Pois trabalhemos para mudar esta realidade.
Investimento pesado em desenvolvimento gerencial é sem dúvida o caminho mais curto.
 


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